NÃO HÁ RETORNO PARA TUDO

                                           

Eu sei que você irá me julgar por conta dessa analogia, mas... 

Se analisarmos nossas vidas, quantas coisas deveriam simplesmente seguir o fluxo do descarte?

Hábitos. Lugares. Conversas. Decisões mal pensadas. E, sim, pessoas.

Nem tudo foi feito para ser reciclado.

Mas a nossa mente insiste.
“E se dessa vez for diferente?”
“E se eu estiver exagerando?”
“E se não era tão ruim assim?”

Pensamentos intrusivos não pedem licença. Eles voltam com maquiagem nova, com discurso amadurecido, com promessa de mudança. Mas, no fundo, carregam o mesmo histórico.

E eu não estou falando só de relacionamento. Estou falando daquela escolha que você já sabe onde termina. Do ambiente que você jura que consegue frequentar sem se contaminar. Do hábito que você acha que controla — mas que já te controlou antes.

Você reciclaria papel higiênico?

Eu sei, é desconfortável até imaginar. Não é o material. É o que ele carrega depois do uso. Ele foi necessário. Cumpriu sua função. Mas depois… acabou. O ciclo terminou bem ali.

Reciclar não seria economia. Seria insanidade.

Algumas coisas na sua vida também já cumpriram a função. Já ensinaram o que tinham que ensinar. Já mostraram o que produzem em você. E ainda assim, a mente insiste em romantizar o que já deveria ter sido encerrado.

E aqui entra a parte que ninguém gosta de admitir:
Às vezes não é amor.
Nem saudade.
Reutilização.
Às vezes é só carência.
Ou dificuldade de aceitar que a sua relação com aquilo definitivamente acabou.

Quando algo precisa ser descartado, não é desprezo. É preservação.

Porque insistir em reciclar o que já cumpriu sua função é voltar a manusear aquilo que você precisou eliminar para continuar limpo.

Nem tudo que retorna é oportunidade.
Às vezes é teste.
Às vezes é recaída disfarçada de maturidade.
Às vezes é o destino observando se você aprendeu.

Respeite o ciclo.

O que foi embora pode ter sido necessário naquele tempo. Mas o que permanece precisa acrescentar, não drenar.

E guarde isso:
Há descartes que doem.
Mas há reaproveitamentos que apodrecem. 

               Há descartes que não são perda — são livramento.


Autor: Pedro Inácio. 

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