Singularidades Plurais.


Tem dias em que tudo parece estar no lugar adequado.

A mente se organiza, vem uma resposta do corpo, o coração se acalma. E, por um simples momento, acreditamos que finalmente entendemos como viver. Como se existisse o real equilíbrio, uma versão definitiva de nós mesmos.

Mas não existe. A explicação é bem objetiva:

Porque viver é oscilar.

Há dias em que o corpo pesa, mesmo sem motivo aparente. Dias em que a mente despenca, sem paraquedas. Dias em que o coração aperta, mesmo sem parecer que há uma simples folga. E, no meio disso tudo, a gente sorri — às vezes de verdade, às vezes apenas para cumprir protocolos sociais.

E  sabe o que é engraçado, ninguém percebe a diferença.

A saúde não é só ausência de doença. É também esse jogo silencioso entre o que sentimos, o que mostramos e o que escondemos. É o emocional que transborda, o físico que responde, e as escolhas que tentam dar sentido ao caos.

Porque, no fundo, somos reflexo da forma como lidamos com a vida. 

Do que enfrentamos.
Do que evitamos.
Do que insistimos.
E, principalmente, do que fingimos não ver.

As vezes para ver esse reflexo não preciamos ir tão fundo, basta atingir uma zona bem superficial.

Tem dias em que a gente chora.
Outros em que a gente finge que está tudo bem.
E tem aqueles em que nem sabemos ao certo o que estamos sentindo — só seguimos.

Mas a boa notícia é que o amanhã sempre chega. De repente invade sua vida sem pedir explicação. Não espera você se organizar por completo. Ele simplesmente vem,  possibilita um novo horizonte, uma nova chance, ou apenas mais um dia comum — que embra seja novo, exige de você muita coragem.

A justificativa é simples, viver não é sobre estar bem o tempo todo.

É ter peito para atravessar as próprias nuances.

É entender que dentro de uma única pessoa existem versões que se contrapõem, emoções que se misturam e pensamentos que nem sempre fazem sentido. Somos singulares, mas carregamos pluralidades.

Possivelmente esse é o ponto mais honesto da existência:

Você não precisa estar inteiro todos os dias.
Mas precisa continuar.

Porque, no fim dessa narrativa, o desfecho nunca é definido no controle absoluto,
mas na forma como você decide viver, mesmo sem ter todas as respostas.

Por: Pedro Inácio.

Comentários

  1. Isso foi muito profundo...
    Mesmo cada uma tendo sua particularidade, todos passamos por isso... Você e um ótimo escrito cada cônica me surpreende, uma melhor que a outra parabéns Pedro Inácio

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  2. Essa crônica traduz exatamente o que a gente vive e muitas vezes não sabe explicar. A ideia de que não precisamos estar bem o tempo todo, mas precisamos continuar, é muito real. Somos mesmo singulares carregando várias versões dentro da gente.

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  3. Obrigado por esse tapa na cara, as vezes é importante compreender que escrevemos nossa narrativa.

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  4. man, voce escreve muito bem, que jogo de palavras interessante

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  5. A gente não nasce pra estar sempre bem nasce pra continuar, mesmo em meio ao caos.

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  6. Muito bom!! Me identifiquei demais, com certeza vou ler mais vezes

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