Entre chamas e brasas

 Há dias em que o fogo arde alto.  

Já admirou as chamas de uma fogueira? É uma dança viva, inquieta, quase indomável. Tudo parece possível nesses momentos: os planos ganham forma, os desejos encontram direção, e a vida, por alguns instantes, se ilumina com uma intensidade difícil de explicar.

Mas o fogo não vive só de explosões.

Há dias em que ele abaixa. A chama diminui, o calor não parece mais tão intenso, e as vezes quase silencioso. De fora, pode parecer desinteresse, cansaço, até desistência. Mas nem sempre é isso. Às vezes, é só o combustível que está reduzido. Ou acabou. Ou precisa ser reencontrado.

O ser humano também queima assim.

Oscila entre excessos e pausas, entre descobertas e frustrações, entre o impulso de avançar e a necessidade de recolher. Nem toda chama baixa significa ausência de vontade. Às vezes, é apenas o corpo, ou a mente, pedindo outro ritmo, outro tipo de calor.

Porque nem todo fogo precisa incendiar uma floresta.

Mas existe uma percepção diferente, que muitas vezes ninguém dá valor, há uma beleza discreta nas brasas. Elas não iluminam tanto, não chamam tanta atenção, quietinhas, mas permanecem ali, constantes, sustentando o que ainda não terminou. São elas que garantem que o fogo possa voltar, quando houver fôlego, quando houver motivo, quando houver lenha.
Sabe qual é o mal do ser humano, sempre exigir uma chama eterna, poderosa e vibrante, como se apagar um pouco fosse falhar. Mas a lição do fogo é gigante na simplicidade, ensina que até para continuar aceso, é preciso aceitar os momentos de menor intensidade.

Pois no fundo, ainda há calor.

Por. Pedro I. 

Comentários

  1. sinceramente, esse texto me tocou muito. A metáfora do fogo. Mas isso me fez pensa … no fundo, será que não é só alguém muito intenso, que gosta de viver o fogo alto e ainda tá aprendendo a lidar quando ele baixa?”

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  2. Eu me identifiquei com o texto.Muitas pessoas falam que isso é bipolaridade, preguiça ou frescura, mas o texto mostra que muitas vezes não é isso, que simplesmente temos a nossa fase de pausa e descanso em meio às turbulências da vida.

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